dornaveia
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Quarta-feira, Julho 30, 2008:
Olhos pesados e tal, mas são cinco da manhã e a cabeça não pára. E os sonhos não aparecem...
Johnny Schettino// 05:06
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Terça-feira, Julho 29, 2008:
...então peguei o copão com meio litro de milk shake de ovomaltine crocante e fui ver o Batman. The dark knight. E me decepcionei:foi um bat-tombo! Talvez por ter lido tantas e tantas críticas falando maravilhas do filme. Esperava um grande filme, me defrontei com um filme grande, cansativo. Cheio de inverossimilhanças (tá bem, é um filme de ação, mas podia ser menos "Duro de Matar" ...) e de um viés (talvez inconsciente) reacionário: para se combater o mal absoluto, deve-se abdicar do heroísmo e viver nas sombras, mesmo que todos o acusem. Se pensarmos no que o "terror" atualmente implica e em quem o combate "custe o que custar", invadindo o Iraque, digo Gothan, com falsas premissas... e também senti falta da Gothan gótica do Tim Burton. Não que eu adore os seus "Batman", mas esteticamente era mais interessante. E que saudades da Michelle Pfeiffer! A juíza-heroína deste filme tinha de ser mais bonita! Ela só causa paixão nos personagens; nós, do lado da pipoca, ficamos indiferentes à tal admiração. Mas apesar dos pesares,devo destacar que o Coringa está maravilhoso, de deixar Jack Nicholson revoltado de inveja. Perfeito, ele rouba o filme. Pena que o ator tenha morrido de overdose, poderia ter tido mais interpretações memoráveis.Pois bem, fazer o que agora? Escutar um pouco a Billie Holiday e tentar cair no sono, um morcego flainando às cegas pelos ares.
Johnny Schettino// 01:29
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Segunda-feira, Julho 28, 2008:
Caros, segunda que vem, a uma hora dessas, já estarei em Veneza . Sentindo o mau cheiro de suas águas no insuportável verão italiano. Mas fazer o que? Então o dornaveia estará de férias até segunda ordem à partir da semana que vem. Mas depois, com certeza, trará muitas fotos e novidades para quem se interessar. Va bene?
Johnny Schettino// 13:48
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Domingo, Julho 27, 2008:
Tornei-me um pouco menos ignorante em relação ao cinema e terminei de ver "Metropolis", filme mudo de duas horas do diretor alemão Fritz Lang. Foi uma aula de cinema. Edição, efeitos, ação, humor, drama: tudo já estava lá, em 1927. Arte e entretenimento unidos como deveriam ser. O urbanismo, a arquitetura futurista, a animação, a música, os desenhos expressionistas, a interpretação... não é à toa que o cinema é a sétima arte por ser uma conjunção de todas as outras. No filme, isso fica claro. E pensar que eu já tinha esse DVD, mas sempre tive preguiça de assisti-lo. Em uma palavra? Genial!
Johnny Schettino// 11:34
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Sexta-feira, Julho 25, 2008:
Gostei muito de Nome Próprio, filme de Murilo Salles em cartaz. Leandra Leal dá um show, a fotografia é muito boa e é um filme difícil. Difícil porque a personagem principal é muito chata e apronta todas com seus amores, traições, drogas e todos excessos imagináveis. Não causa nenhuma simpatia, ao contrário. Mas o buraco é mais embaixo e o que me atingiu foi a questão de se escrever um blog. Sobre o que é verdade e o que é ficção. O que é diário e o que é a tentativa de se expressar além. Aí que houve a identificação.Menos os excessos e mais a escrita,nesse mundo de relacionamentos virtuais. E o final do filme, ao menos pra mim, deixa a porta aberta. Um filme sem concessões, um tanto incômodo e que não recomendo, pois acho que irá agradar a poucos. Mas que valeu minha noite de quinta e uma boa conversa na mesa do bar...
Johnny Schettino// 14:55
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Quarta-feira, Julho 23, 2008:
Como professor de italiano, tento estar atento às novidades musicais italianas. Para escutar, cantar e, claro, repassar para meus alunos com fins didáticos. E, claro, me é muito difícil, pois o nível musical italiano,como é sabido, é muito ruim. Mas cavando aqui e acolá, vez ou outra me surge uma grata surpresa do país da pizza e da Máfia. Por exemplo a banda Perturbazione: pop melancólico gostoso de se ouvir. Em especial essa música que uso pra estrear o áudio no dornaveia, "un anno in più". Não paro de escutá-la e me sinto num comercial. Feliz e cheio de possibilidades. That's it.
Uma outra canção que não paro de ouvir é do último disco da Carla Bruni (a esposa do presidente francês Sarkozy). Um blues em francês sensacional. E sensual...
E meus agradecimentos à Patrícia pela "modernização" deste blog...
Johnny Schettino// 21:31
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Segunda-feira, Julho 21, 2008:
Um sábado inteiro de excessos. E um domingo, claro, de pós-excessos. E, raridade, com vitória atleticana!
Johnny Schettino// 13:24
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Sábado, Julho 19, 2008:
Bem, depois que a Alessandra Negrini deu um pé na bunda do Otto não posso dizer que o mundo é de todo injusto...
Johnny Schettino// 19:02
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Compras no supermercado feitas por um "macho adulto solteiro momentaneamente" de 70 e poucos quilos:
- 2 caixas de iogurte;
- 2 pizzas congeladas;
- 2 caixas de suco de caju;
- 1 caixa de cerveja.
Claro que a casa já estava abastecida de uísque, vodka e vinho!
Johnny Schettino// 11:53
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Sexta-feira, Julho 18, 2008:
L' infinito
«Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
e questa siepe, che da tanta parte
dell'ultimo orizzonte il guardo esclude.
Ma sedendo e mirando, interminati
spazi di là da quella, e sovrumani
silenzi, e profondissima quïete
io nel pensier mi fingo, ove per poco
il cor non si spaura. E come il vento
odo stormir tra queste piante, io quello
infinito silenzio a questa voce
vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
e le morte stagioni, e la presente
e viva, e il suon di lei. Così tra questa
immensità s'annega il pensier mio:
e il naufragar m'è dolce in questo mare»
(Giacomo Leopardi)
E que tal a versão traduzida por Vinícius (o "de Moraes")?
Sempre cara me foi esta colina
Erma, e esta sebe, que de tanta parte
Do último horizonte, o olhar exclui.
Mas sentado a mirar, intermináveis
Espaços além dela, e sobre-humanos
Silêncios, e uma calma profundíssima
Eu crio em pensamentos, onde por pouco
Não treme o coração. E como o vento
Ouço fremir entre essas folhas, eu
O infinito silêncio àquela voz
Vou comparando, e vêm-me a eternidade
E as mortas estações, e esta, presente
E viva, e o seu ruído. Em meio a essa
Imensidão meu pensamento imerge
E é doce o naufragar-me nesse mar.
Johnny Schettino// 16:08
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Quinta-feira, Julho 17, 2008:
A família viajou, vou aos poucos arrumando o caos completo dos quartos (a cozinha já arrumei), lendo os jornais e planejando sonolentamente a programação do que fazer antes do trabalho. Mas não me sinto só, em absoluto. João Donato ilumina toda a casa com seu piano e parece que está aqui, tocando só pra nós.
Johnny Schettino// 09:37
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Segunda-feira, Julho 14, 2008:
Recém-saído de uma gripe derruba-rinoceronte... e a herpes surge, triunfante! É claro. É sempre assim: minha mulher vai viajar, ela aparece. Claro que as vezes a mulher não viaja e aparece o vírus. Mas é batata: é só ela viajar... Será que meu corpo antevendo a falta da minha mulher baixa a resistência, ficando vulnerável? Será praga da minha mulher pra esses lábios de quem vos escreve serem tocados apenas pela pomada anti-viral? Vai-se saber... O fato é que a família viajará, deixando-me entregue ao vício e à solidão. E às vezes, eles me fazem muito bem. O vício e a solidão. E não vamos falar de futebol que o Galo perdeu (mais uma vez) para o Cruzeiro. Podemos falar de filmes infantis, pois vi o Wall-E e o Kung Fu Panda. Adorei o primeiro, me diverti com o segundo. Mistura genial de 2001, ET, Woody Allen, ecologia e filmes mudos, esse Wall-E. Podemos também falar do sensacional e triste Do outro lado, filme turco que fala de uma problemática entre os vizinhos turcos e alemães. Mas fala de muitas outras coisas também. Imperdível. E posso falar que faltam 20 dias pr'eu viajar. E 18 pras minhas férias. E que ainda não ganhei na megasena. Mas até quarta eu jogo. Pra ganhar, claro.
Johnny Schettino// 21:35
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Sábado, Julho 12, 2008:
Os acordes de Guinga acompanharam com perfeição o azul da manhã sem nuvens.Manhã que passa arrastada feito serpente hibernando. Queria dar uma aula de italiano agora. Ser útil, sentir-me útil. Ou, se assoviasse, talvez uma canção sem rumo me saísse. No entanto, busco significados pra essa imensidão do sentir. E é só amplidão, mesmo preso a um plantão ocioso. Ainda bem que há poemas.
Aprendizado
Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.
Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão
que a vida só consome
o que a alimenta.
Ferreira Gullar
Johnny Schettino// 11:52
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Quarta-feira, Julho 09, 2008:
Canção
"teu cabelo terá crescido"
canto em minha solidão
e o acaricio
Juan Gelman
Porque os planos se queimaram e a noite os engoliu, feito o mar devora barcos. Porque há os filmes. E sem eles não existo. Sou parte das cenas: Michelle Pfeiffer como batgirl lambendo o Batman e dizendo :"miau". O saco de papel voando enquanto ele se revela tênue como a vida em "Beleza Americana". A tristeza presente em cada plano de "Último tango em Paris". O sacrifício de Rocco, mártir da família em "Rocco e seus irmãos". Pessoas que vão à uma festa e, sem razão aparente, simplesmente não conseguem sair da casa, em "O anjo exterminador". Outro Buñuel: Cristo pronto a fazer a barba e Maria lhe diz algo como: "não faz não, você fica melhor com barba". Esse é "A Via-Láctea". O ator tentando vencer a morte numa partida xadrez, em "O Sétimo Selo", de Bergman. E tantas outras cenas que se confundem comigo. Daí meu amor ao cinema e a tentativa de mostrar o que eu acho válido nessa arte. Que pode ser muito mais que mera diversão de uma tarde feliz com pipoca. Que pode ser muito mais que Hollywood e os Estados Unidos da América. Que pode, como qualquer grande arte, atingir-nos como uma explosão. Pode ser espelho. Pode ser lágrimas e raiva. Pode ser reflexão. E mudar nossa vida.
Mais um plano magistral do sueco Bergman em "O Sétimo Selo" de 1956
Johnny Schettino// 08:50
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Terça-feira, Julho 08, 2008:
Dizer o que quando um menino de 3 anos morre depois do carro de sua mãe ser crivado de balas por policiais? Isso é polícia? Isso é Estado? Isso é Nação? Isso é o Brasil. Em qualquer país sério, além dos "policiais" serem presos, o secretário de segurança estadual iria para o espaço. Por aqui, lamenta-se a situação. Fazer o que, né? Talvez esperar outro João Hélio ser arrastado ruas afora. Às vezes dá vontade de pegar o avião e não voltar. Mas, diferente do que disse o Tom Jobim, a saída do Brasil não é o Galeão. Acho que nem tem saída. Mas fugir também não ajuda. Pense na política. Pense nas cadeias lotadas. Pense na pena de morte que existe de fato. Pense nas reformas que não são feitas. Pense nas oportunidades perdidas. Pense na educação cada vez pior. Haja fé...
Johnny Schettino// 19:56
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Sexta-feira, Julho 04, 2008:
Então falta exato 1 mês pra eu cruzar o Atlântico em busca de novas experiências, línguas, estórias que terei pra contar e fotografias. Sim, só penso na viagem. Ou nas viagens dentro da viagem. Penso nas decepções que vou ter, no cansaço e nas malditas malas, lado negativo e desgastante de qualquer viagem. Mas penso sobretudo no lado bom, que espero, seja infinitamente melhor. Faltam só uns pequenos detalhes, como trocar reais por euro e arranjar hotel na pequena cidade de Maratea (da onde vem o Schettino deste que vos escreve). Mas vou te contar, arranjar hotel lá está impossível... e, paralelamente a isso tudo, arranjo tempo enquanto durmo de sonhar com você. Porque só te vejo em sonho e talvez seja melhor assim, mesmo em sonhos tortos e que estão longe dos ideais. Não porque são complicados e esquisitos e sim porque acabam. De qualquer forma, é sempre bom nos encontrarmos dentro de mim. Pelo menos no sonho é assim. Pelo menos escuto Baden Powell tocando e as coisas então me parecem boas e tristes e não sei explicar o que acontece. Faz pulsar a vida e os problemas parecerem menores. Vontade de mergulhar na água fria.
Johnny Schettino// 13:35
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