dornaveia
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Quarta-feira, Setembro 29, 2004:
Um leopardo com um antílope entre os dentes sobe veloz e furtivamente em uma árvore alta, afim de salvaguardar seu alimento dos predadores.Em plena savana africana.
Uma mulher com seus 40 e poucos anos sobe veloz e furtivamente em uma árvore. Leva para os galhos mais altos um papelão, um caixote e uma cadeira e lá os deixa dependurados, afim de salvaguardar os intrumentos de seu "trabalho" de outros "predadores". Na esquina de Viçosa com Contorno, em Belo Horizonte, plena selva urbana...
Estou de saco cheio. Tirando essa cena interessante, o dia foi desgastante. Sentimentalmente, estou um caco. O casamento exaure minhas forças e escutando o dornaveíssimo primeiro disco da Ângela Roro, de 79, chego às entranhas de estranhas e insuportáveis dores, em especial com uma belíssima música que descreve minha situação. Será que eu mereço tamanho desgaste? Primeira providência ao ganhar na megasena amanhã: viajar pra bem longe. Sozinho.
Johnny Schettino// 9:14 PM
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Domingo, Setembro 26, 2004:
...e é assim, quando a noite é desenfreada e engole a madrugada, o dia seguinte parece irreal. Essa é a exata sensação, as coisas ficam fora do lugar, sua vida não é sua vida e você, principalmente, está longe de você. Ontem fui numa festa. E levei uns cedezinhos, caso rolasse a chance. Rolou. E não é que segurei até às 4 e meia com 20 discos??? E muita birita. Só me lembro de
em certo momento estar dançando "o vira" dos secos e molhados... Mas teve também Tim Maia, Beastie Boys, New Order, The Cure, Dandy Wahrols, Strokes, Franz Ferdinand, samba rock e, claro, Roberto Carlos, Gretchen e Sidney Magal (o ápice da festa, of course). E tinha os chatos, sempre tem. Pedindo hip-hop e axé. Mas com muita bebida e paciência, a gente vai levando. That's it.
Johnny Schettino// 3:20 PM
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Quinta-feira, Setembro 23, 2004:
Mattina
M'illumino
d'immenso
Era esse poema que eu queria ter escrito, assim, em italiano. Tenho até um poema falando disso. Outro que eu me mato por Leminsky ter escrito antes é assim:
Vazio agudo
ando meio
cheio de tudo
Mas acho que ele é até meio meu, pois ele diz o que eu quero do modo que eu diria.
E daí, pergunta o leitor improvável deste blog? E daí nada, niente, nulla, nothing. Continuo viciado em Hall's preto. Não tenho peito pra me viciar em mais nada. Sou um drogado sem drogas. Um infeliz sem depressão. Me sinto meio ausente, sabe? Mas, como todos, estou vivendo. Meu tempo acabou: estão me chamando.
Johnny Schettino// 7:36 PM
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Terça-feira, Setembro 21, 2004:
Quase escrevo uma ficção agora. Mas a preguiça atropelou. Tenho sono, mas à tarde, não consigo dormir. Tenho dormido em média 4 horas e meia por noite. Acho que vou compor letras pornográficas pras minhas canções. Cheio de idéias neste sentido. Nos outros, à míngua. Acho que ando triste e sem sentido. Porém ando ocupado demais pra saber disso. Comecei a reler o bárbaro " Mate-me,por favor- a história sem censura do punk", livro que aborda através de depoimentos de envolvidos, toda a história do punk, de Velvet e Stooges, passando por Pistols, Clash, Ramones até o fim (fim??). Muito curioso e divertido, sobretudo. Como já disse, já tinha lido o livro, que haviam me emprestado. E por tê-lo adorado, esse fim-de-semana comprei os dois volumes naquela edição de bolso baratinha (baratinha??). Mais um livro do argentino contemporâneo de Borges e Cortázar (de quem sou fã), Bioy Casares: "Histórias de Amor". Nunca li nada dele. Comprei pelo nome do livro. Sim, às vezes sou romântico. Ou só quando bebo. Paralelamente a isso tudo, comecei a ler mais um livro do Italo Calvino. Outro de quem sou ardoroso leitor. Eu não consigo pegar o rumo certo da vida nas minhas mãos. Parece com um sonho refletido em outro sonho, petróleo queimando dentro do mar e coisas que eu nem tento explicar. Tenho de me dedicar às minhas canções pornográficas. Algo entre o sexo e o riso. Afinal, arrebata Nélson Rodrigues " o ato sexual é uma mijada". That's it.
Johnny Schettino// 10:40 PM
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Segunda-feira, Setembro 20, 2004:
Preciso de fazer exercícios. Dar aulas de italiano. Estudar italiano. Dormir e dormir. Beber mais. Ser mais cafajeste. Ganhar um bom dinheiro. Viajar. Não trabalhar por no mínimo um mês. Essa coisas. No entanto, perco meu precioso tempo vendo bobagens bem feitas como " Lisbella e o prisioneiro". Deveria ter continuado com os DVDs dos Beatles (estou na primeira parte do terceiro DVD). Hoje, novamente, o carro pifou. Tive de correr pra pegar ônibus e não chegar atrasado. Preciso urgentemente.
Johnny Schettino// 7:47 PM
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Sexta-feira, Setembro 17, 2004:
Estava me sentindo cool, o "mais cool dos cools", ouvindo Black Rebel bem alto no carro, com meus óculos escuros quando num instante perdido na tarde, me passa uma linda moçoila de camisa branca e pasta tampando os seios. Parecia um comercial. Então, meu momento cool sumiu e restou minha cara de cu, quase batendo o carro. A beleza é triste, já disse por aqui. E nunca mais verei a moçoila e a vida é assim. E devo me conformar. Naquele instante, me inspirei a rodar um filme inteiro baseado naquela lancinante melancolia. Escrever um livro de poemas. Pintar uma série de quadros. Qualquer coisa como um tiro no peito disfarçado de amor. E aí volto ao querer ópio ou qualquer falso alento. Queria que a garota me cantasse um acalanto, como num filme perdido na tarde. E eu choraria feliz.
Johnny Schettino// 6:54 PM
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Terça-feira, Setembro 14, 2004:
Hoje vindo pro segundo trabalho, me lembrei do tempo da UFMG, que é no mesmo caminho. Me deu uma saudade... não das aulas, não dos colegas muito menos dos professores. Me deu saudade do SABER que às vezes encontrava por lá. Algum livro velho na biblioteca, novas informações valiosas para minha sede de conhecimentos. De falar italiano e escutar italiano. Mas fugi do caminho das lembranças fugidias e cá estou: no trabalho.
Hoje enfim fui na mostra Indie de cinema. Vi um filme de guerra israelense. Das duas horas de filme, ao menos uma eu dormi. Estou tão cansado. Só não estou muito carente por causa do cansaço. A vontade é de beber. Muito. Afinal, I can't get no satisfaction", no no no"!
Johnny Schettino// 7:34 PM
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Segunda-feira, Setembro 13, 2004:
São duas obras de arte em pouco tempo. Ainda não consegui digerir. Vamos à primeira:
Lecuona, Grupo Corpo
Um tratado sobre a paixão. Romântico, erótico. Sempre à beira. 13 canções, 13 bolerões do pianista cubano Lecuona. 12 casais em 12 músicas transformam os transbordantes boleros em dor, amor, sexo, paixão louca e abrasiva. Lindo, absolutamento explendoroso. Doloroso. Na última canção, a surpresa: o palco vira um quase espelho e todos bailarinas bailam, aliás, flutuam pelo palco. Não chorei. Mas dava pra chorar. Se eu estivesse um centímetro apaixonado, morreria. A obra prima do Corpo (dos outros poucos 4 ou 5 espetáculos que vi). O que eles fazem com o corpo, nem um grande poeta conseguiria com reles palavras. Porque a poesia não dá conta do movimento, como as mãos não seguram a água. Quisera ver mais umas 10 vezes. E morrer tranquilo e apaixonado. E, claro, comprei o cd.
Let it Bed- Arnaldo Baptista
A começar pelo espetacular título (lembra Let it Be, dos Beatles e a sátira " Let it bleed", dos Stones) , o cd é, bem definido por Lobão, de uma " delicadeza espantosa ". E espanta. E encanta. Está tudo lá na voz insegura e por vezes desafinada de Arnaldo. Está no humor mutante. Está nas melodias estranhas e por vezes, lindas de seu piano. Há a melancolia, há o diferente de tudo que está aí. " People say I'm crazy, that's me that's me, that's me". Arnaldo é louco e tal. Quão bem nos faz sua loucura, imaginando fellinianamente um " barco cheio de louras, oh!", relembrando seus antigos achados (Vou me afundar na lingerie), sendo 100% Arnaldo Baptista. A cada audição, uma nova descoberta. Se você gosta de surpresa, inventividade e um pouco de experimentalismo, vale a pena comprar por R$ 12, 90 a revista "Outracoisa" do Lobão. E " dar uma lambida na utopia"... " Louvado Seja Deus que nos deu o rock'n'roll". Está dito.
Outra coisa: também, nas raras horar de folga não saio de frente da TV, vendo e revendo o Anthology dos Beatles. Estou no segundo DVD. Vontade de ver tudo, de uma vez. Quando vão lançar em DVD o "25 X 5", dos Rolling Stones???
Johnny Schettino// 9:31 PM
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Sexta-feira, Setembro 10, 2004:
Quero um tanto de ópio. Deve ser tão bom... deixa eu explicar: terminei de ler o soturno " O processo", de Kafka. Quis até ler algo mais leve, mas peguei o primeiro livro que me apareceu pela frente. Que, no caso, foi " Ópio-diário de uma intoxicação", do francês Jean Cocteau. E o livro está me encantando. Pela poesia e pelo amor ao ópio. Saquem só:
"O tédio mortal do fumante curado.Tudo que a gente faz na vida, até o amor, a gente faz no trem expresso que caminha para a morte. Fumar ópio é pular do trem andando, é se ocupar de algo além da vida e da morte." Alguém se lembra do começo de "Trainspotting"?.
Não aguento mais trabalhar. Jornalismo é assim: tudo calmo e de repente: rebelião sei lá onde. Prendem um serial killer. E aí? Nada de sair no horário previsto. Preciso de ópio. Um tanto.
Johnny Schettino// 9:51 PM
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Meia-noite e quinze. Sono. Muito sono. Lembro-me daquele ótimo filme "Insônia", com Al Pacino. Hoje tentei dormir à tarde. Em vão. Hoje pensei que iria pra casa mais cedo. Em vão. Loteria? Em vão. Amores? Vãos. E voltams. (gostaram do trocadilho sonâmbulo???). Amanhã é sexta. Deveria me alegrar. Mas trabalho sábado o dia todo e plantão no domingo também. Só vou ter tempo & espaço pra ver o espetáculo "Lecuona", do Grupo Corpo. Que deve estar maravilhoso. Só espero não dormir...
Johnny Schettino// 12:21 AM
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Quarta-feira, Setembro 08, 2004:
Disse hoje à minha mulher: até sexta. Sim, pois não a verei acordada até sexta, dia em que saio aproximadamente às 11 da noite. Há não ser se acontecer de haver uma empolgação maior com dois corpos que dividem a mesma cama. Mas penso ser pouco provável. Meus filhos, só se eles acordarem antes das 8. Senão, só os belos rostos em sono profundo. Como mais, pois fico mais tempo acordado e é natural que a fome apareça. Amanhã vou ver se vejo algum filme na mostra indie de cinema. Uma sessão das duas e meia, três. Ainda não achei pra comprar o novo do Arnaldo Baptista na revista Outracoisa, do Lobão. Me acho um bom fotógrafo. Quer dizer, como não tenho técnica, vou na intuição. Quer dizer, tenho um olhar poético, o que é o mais importante na fotografia. Então, resta-me aprender a técnica. Ou pintar, sei lá. Bem sei, este texto está solto. Uma frase não tem ligação com a próxima. Como um dia seria o reflexo de outro dia. E os reflexos de nosso dia-a-dia seria a vida. E eu joguei na megasena, como milhões de esperançosos. Mas só eu devo ter ganhado. Mas fiquem tranquilos: o dornaveia continuará. Com bem menos dor, é verdade...
Johnny Schettino// 9:25 PM
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Segunda-feira, Setembro 06, 2004:
Acabei de comprar a caixa de DVDs " Anthology", dos Beatles, ítem fundamental em qualquer DVDteca que se preze. São 5 DVDs contando a história do grupo de rock mais influente e popular do mundo. Finalmente o achei num preço razoável. "And in the end the love you take is equal to the love you make". Ah, os Beatles...
Johnny Schettino// 9:57 PM
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À partir de hoje, minhas noites serão dedicadas ao trabalho: de 6 da tarde até uma, uma e meia da manhã. Hoje, excepcionalmente, largo às 3. Mas por sorte, amanhã folgo no meu emprego matinal. Vai dar pra dormir... Mas esse fim-de-semana aproveitei beeem as noites. Na sexta, show do projeto Pixinguina à R$5. Ná Ozetti, Nó em pingo d'água, Jards Macalé e Selma do Coco. Bacana, but it could be better. No sábado, " Tudo é Jazz" em Ouro Preto: Orchestra Morphine matou a pau. Bom demais.
Depois, no show do saxofonista americano, após 3 músicas, resolvo jantar com minha mulher, para não dormirmos, tão chato estava. Depois o bruxo Hermeto. Muito louco. Muito bom. Domingo, já em BH,show curto, de uma hora, da Velha Guarda da Portela. Bebi pra caralho, foi bom demais. Mas agora, no more funny nights. Há não ser pr' um uisquinho básico às duas da manhã, pra descontrair. Depois acordar 7:20 H pra recomeçar o batente. That's it.
Johnny Schettino// 8:07 PM
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Quinta-feira, Setembro 02, 2004:
Escutando furiosamente Franz Ferdinand, The Libertines, Ben Kweller, The Thrills, Mando Diao (só eu conheço essa fabulosa banda???), Primal Scream (give out but don't give up), Pulp (different class), The Shins, Air e mais uns 7 cds de MP3 com as 100 mais da Billboard de 1957 à 72. Umas setecentas músicas. Mais a Eliseth Cardoso. E os sambas da antiga. Frank Sinatra? Pode rolar. Lendo kafka, "O Processo". Paralelamente quase parando um em italiano do Santo Agostinho "Le Confessioni" e o do Miguel Paiva (cama de gato). Esse, é a leitura de banheiro. Mrs Dalloway, da Virginia Woolf, em inglês, também vai devagar. No mais, revi em DVD o fabuloso "A dança dos Vampiros" do fabuloso Polansky. Com a fabulosíssima Sharon Tate (que morreu cruelmente assassinada num ritual satânico). E fim-de-semana vou pra Ouro Preto no sábado ver o "Tudo é jazz": Morphine Orchestra e Hermeto Pascoal. That's it!
Johnny Schettino// 1:27 PM
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Quarta-feira, Setembro 01, 2004:
Esse post faz um tempo, é de 2 anos atrás. Mas atual para o que sinto. Então republico:
Teclo no escuro. E a beleza da Emmanuelle Beart me comove e impressiona. A poesia por vezes se esconde de mim. Mas no caso dessa atriz, é um poema nu. Fácil de se ler e se deleitar. Beleza indelével e indeletável. Ando triste. Então, meto uma linda mulher por aqui pra ver se melhoram os ânimos. Vontade de estudar mais e mais o italiano: língua é assim, eterno começo sem qualquer fim. Este post confuso e frustrado é pra ti, ó Emmanulle Beart, deusa da brisa que reina dentro de mim!!
Já que estamos regurgitando textos antigos, eis um Dalton Trevisan de boa safra:
-Orra, nem te conto. Três anos de fúria e loucura: droga, sexo, bebida.
- ...
Perdi mulher, casa, emprego, amigo. Sei lá como não morri.
- ...
- Mas não me arrependo. Bem me diverti quando estava doidão.
Johnny Schettino// 6:17 PM
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