dornaveia

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Sexta-feira, Julho 04, 2008:

Então falta exato 1 mês pra eu cruzar o Atlântico em busca de novas experiências, línguas, estórias que terei pra contar e fotografias. Sim, só penso na viagem. Ou nas viagens dentro da viagem. Penso nas decepções que vou ter, no cansaço e nas malditas malas, lado negativo e desgastante de qualquer viagem. Mas penso sobretudo no lado bom, que espero, seja infinitamente melhor. Faltam só uns pequenos detalhes, como trocar reais por euro e arranjar hotel na pequena cidade de Maratea (da onde vem o Schettino deste que vos escreve). Mas vou te contar, arranjar hotel lá está impossível... e, paralelamente a isso tudo, arranjo tempo enquanto durmo de sonhar com você. Porque só te vejo em sonho e talvez seja melhor assim, mesmo em sonhos tortos e que estão longe dos ideais. Não porque são complicados e esquisitos e sim porque acabam. De qualquer forma, é sempre bom nos encontrarmos dentro de mim. Pelo menos no sonho é assim. Pelo menos escuto Baden Powell tocando e as coisas então me parecem boas e tristes e não sei explicar o que acontece. Faz pulsar a vida e os problemas parecerem menores. Vontade de mergulhar na água fria.

Johnny Schettino// 13:35

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Domingo, Junho 29, 2008:

A juventude passou assim... num piscar de olhos! Sim, sei que pareço um velho escrevendo tais palavras, mas foi exatamente o que senti quando aquela menina com seus 15, 16 anos passou pela minha marcação diversas vezes e marcou inúmeros gols. Pior ainda o adolescente alto e magro. Mas esse ninguém parava. Situo: estava jogando handebol, 16 anos após minha última partida. Coisa dos filhos, claro. Sei que a agilidade poderia certamente melhorar se eu treinasse. Mas nunca voltaria a ser como antes. Infelizmente. Claro que tem o lado bom de se ter 35 anos: é exatamente não ter ainda 36 e os demais restantes... E enquanto a ressaca ainda não explode em minha cabeça, meu corpo (braço direito especificamente) dói como uma tarde perdida. Metáfora à parte, eis... ah, cansei de escrever!!!!
Johnny Schettino// 10:18

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Quinta-feira, Junho 26, 2008:

"Pilotos dormem e avião vai parar em outra cidade na Índia". Tem certas notícias que são engraçadas, convenhamos... Nada engraçado (egoísticamente falando) é deixar cair uma lente cara no chão, presente trazido carinhosamente por sua tia dos USA e ter de mandar a lente pra São Paulo pra consertar. E o conserto ficar em 730 reais, em três parcelas. E o carro ainda vai pra oficina. E, aproveitando a maré, recebi ontem uma multa por falar no celular enquanto dirigia. Merecida, claro.E seguem-se os preparativos pra viagem. Pra se entrar na comunidade européia é obrigatório fazer um seguro com cobertura de 30 mil euros. O que fiz hoje, aproveitando a baixa do dólar. Sim, o negócio é em dólar. E só de pensar em férias me vem um friozinho na barriga. Parece uma coisa surreal. Ainda mais viajando assim, despudoradamente! E hoje entrei em férias da disciplina isolada que eu cursava na UFMG. Mistura de alívio com vontade de aprender mais e mais. Pra esquecer a metade. Noves fora... ???

Essa foto eu tirei num fim de tarde no domingo passado. Me lembrou a minisérie antiga da Globo: O tempo e o vento( do livro do Érico Veríssimo). Mais fotos minhas
.
Johnny Schettino// 21:28

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Terça-feira, Junho 24, 2008:

Olha só o que foi dado no UOL notícias:

Pesquisa sobre o comportamento sexual do brasileiro mostra que o mineiro não é tão quietinho quanto se imagina e nem o carioca tão fogoso quanto quer fazer parecer. Os primeiros resultados do Mosaico Brasil, levantamento feito pelo Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, mostram que em Belo Horizonte os homens fazem mais sexo por semana do que no Rio de Janeiro (4 contra 3 vezes) e a média de relações por encontro também é maior (3 vezes para os mineiros e 2 para os cariocas).
Bem... da minha parte, juro que tenho me empenhado ao máximo pra que a média seja boa. Não é que deu resultado???

Johnny Schettino// 17:02

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Procuro diariamente passagens aéreas para Porto Alegre, pois tenho um casamento há 3 horas de lá. E são mais caras do que as para Buenos Aires! Mais de 1000 reais per capita. Ou seja, se não houver promoção, tchau casamento. E eles que arranjem um outro DJ. Paralelamente, há a preparação pra GRANDE VIAGEM em agosto, cioè, per l' Italia! Tudo quase pronto, menos pagar a viagem... E falando em Itália, não torci por ela na Copa Européia e sim pela Espanha. Eu, que tanto prezo a Itália e suas língua, cultura e comida. Que tenho antepassados por lá. E, devo confessá-lo, na final da Copa do Mundo torci pela França. Por que? Acho o futebol da Itália feio e sem magia. Muito objetivo. Ao contrário do nosso (ex-grande) futebol. Terminando a conversa, acho que torço pela Rússia na Eurocopa a partir de agora. Apesar do governo pouco democrático. Mas um futebol dos melhores!
Johnny Schettino// 12:37

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Quarta-feira, Junho 18, 2008:

DESÂNIMO: PREFIXO NEGATIVO - DES + RADICAL -ANIMA, DO LATIM, QUE SIGNIFICA, ENTRE OUTRAS COISAS, ALMA. Em italiano anima quer dizer alma. Quer dizer, chega de explicações, né?
Johnny Schettino// 13:30

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Domingo, Junho 15, 2008:

RODAM PALAVRAS NA MINHA CABEÇA
ALGUMAS TROPEÇAM NO MEU PAPEL
OUTRAS ESCAPAM, FUGINDO EM SONHO
COMO CAVALO GALOPANDO DENTRO MAR.


QUAL É, MEU DEUS?
PRA QUE PALAVRAS
SE POR MAIS QUE EU PEÇA
NESTA TRISTE PEÇA
É TÃO MEDÍOCRE O MEU PAPEL?

Frases de um antigo e mal resolvido poema de 2004. De uma vida mal resolvida? Por que trabalhar num domingo? Será que um dia hei de criar ovelhas, escrevendo e pastorando com calma? Ruminando palavras? Bucólico e quase triste? Cavalgando contra o tempo? Perder-me em uma biblioteca dentro do sítio, dentro da minha cabeça? Por que eu não agradeço tudo o que tenho? Por que essa insatisfação? Por um domingo de plantão? Por que não toco mais baixo numa banda? Por que bebo menos que queria, saio menos que queria, faço menos exercícios que deveria e così via...? Será que é medíocre o meu papel ou será que me imaginei num papel melhor maior que meu talento? Ou, como disse o Cazuza: "nesse filme como extras, todos querem se dar bem". Só sei que tenho a impressão que minha vida poderia estar sendo "mais vivida". E, infelizmente, acho que não sou o único nessa constatação. Mas deixa pra lá e vamos trabalhar... Mas antes, deixo vocês com um trecho do poema Tabacaria, do genial Fernando Pessoa. E creio que ele sabia com certeza quão gênio ele era. Mas como ele mesmo disse: "o poeta é um fingidor" etceteras...

"Fiz de mim o que não soube,
E o que podia de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
estava pegada à cara.
Quando a tirei, já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime".

Johnny Schettino// 20:56

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Quinta-feira, Junho 12, 2008:

É manjado, eu sei, ainda mais no dia dos namorados. Mas eu gosto...

As sem razões do amor- Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Johnny Schettino// 19:29

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Terça-feira, Junho 10, 2008:



Já disse que eu amo limonada? Que eu sou fã do Angeli? Que eu adoro tardes de folga e noites sem fim? Que para mim filme no cinema é como sexo e DVD na TV é masturbação? Que leio diariamente o Clóvis Rossi na Folha e adoro o caderno de gastronomia do Estadão? Que acho a Veja a coisa mais reacionária e mau caráter da imprensa impressa? Que faz séculos que não acompanho nenhuma novela? Que Buñuel e Bertolucci talvez sejam meus diretores preferidos? Que a beleza me dói? Que minha barriga não encolhe? Que eu não consigo fazer exercícios com regularidade? Que queria ler mais e ver mais filmes, mas a vida segue com o trabalho e afazeres? Que adoro colibrís, inclusive a palavra? Que gosto de cães e gatos, mas prefiro cavalos? E, por fim, já disse que...?

Johnny Schettino// 13:07

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Sexta-feira, Junho 06, 2008:

Bom mesmo seria me perder entre árvores, livros e mulheres!
Johnny Schettino// 16:39

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Sexta-feira, Maio 30, 2008:

SENTO LA STANCHEZZA E L'IMMENSITÀ
SENTO CHE IL POETA
FRA POCO SI SVANIRÀ
CON I DOLCI SOGNI
CHE INCIAMPANO
NELL' INFINITO

Johnny Schettino// 23:28

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Quinta-feira, Maio 29, 2008:

I- DOS DOCES, DAS BEBIDAS E DE MIM

* Quando bebo e começo a ficar mais sociável me creio um ser humano melhor. E as outras pessoas também me são mais agradáveis. Pode ser engano. Como tudo pode sê-lo.
* Já sem doces, me sinto menos culpado e, simultaneamente, mais infeliz. As frutas até são boas e tenho prazer em comê-las, mas ainda não foram inventadas coisas tão gostosas quanto milk-shakes, petit gatêau, doce de leite ou goiabada com queijo. E, obviamente, um bom chocolate. E tenho dito!
* Imagine se ao invés de engordar e fazer mal, os açúcares fossem como frutas, por exemplo? Imagine um milk shake de chocolate (o do Eddie's Burger, de preferência) que emagreça? E sem ser diet ou light! Seria minha dieta!
* Cada bebida tem sua hora: uísque no sol escaldante ou cerveja no frio não são muito indicados, non è vero? E o bom do espumante é que pode-se tomá-los com doces e até no café da manhã! Por mim, dry martine antes do uísque. E cerveja só na praia ou num calor de subúrbio. Ou num buteco que não tenha outras qualidades de álcool.E detesto rum e similares. De resto, de tequila à saquê.
* Sempre penso que se tivesse de escolher entre parar de comer doces ou de beber, pararia de beber. Até porque existem outros substitutos no hall dos "venenos anti-monotonia", citando Cazuza. Mas ser-me-ia muito doloroso. Porque bebida é líquida. Porque se bebe. Porque é legalizada e sabendo-se beber (não dirigindo, não ficando literalmente "um porre", evitando confusões, etc), faz bem à alma. Não diria à alma, espiritualmente falando. Diria à alma psicanaliticamente falando. sacou? Saquê!

Johnny Schettino// 17:44

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Terça-feira, Maio 27, 2008:

É o dinheiro que não chega, é a viagem que se aproxima... E vamos valsando a vida. Errando o passo, fazendo mágica.
E há as mulheres, graças ao bom Deus. E há o Dalton Trevisan, um dos meus mestres, pra me dar inspiração. Pra qualquer precipício:

-Orra, nem te conto. Três anos de fúria e loucura: droga, sexo, bebida.
- ...
Perdi mulher, casa, emprego, amigo. Sei lá como não morri.
- ...
- Mas não me arrependo. Bem me diverti quando estava doidão.

Morte no Bar

"Ele quando bebia era violento.
Não parava no serviço.
Não pagava as contas.
Nem o aluguel. Só mudava a família
de um lado para o outro.
Gastou o dinheiro da herança da mulher.
A qual fugiu para a casa da mãe.
Só voltava com ele se acertasse as dívidas.
A sua morte no bar foi um alívio. "



Johnny Schettino// 16:47

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Sexta-feira, Maio 23, 2008:

Sim, sei bem que poderia conquistar o mundo essa noite, mas é que tá frio lá fora. Então jogo paciência e derroto o rei. E a casa exala solidão, um vazio se aproxima e me empurra até o fechar de meus olhos. E mergulho nas canções. No caso, a trilha sonora do super-romântico "Um Beijo Roubado", do Wong Kar Wai. Filme romântico e urbano, como eu. A noite hoje tem lua, então faço versos como quem devora estrelas. Penso em você e você pode ser quem eu quiser. Aí não quero mais e sorrio derrotado. Um filme, agora? Um metrô vazio e imaginário passa perto de mim. A solidão vence, a casa está vazia e o vento que me sopra se chama tristeza. A cidade pulsa e apago a luz. Um filme, agora.

Johnny Schettino// 23:31

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Quarta-feira, Maio 21, 2008:

Essa notícia realmente achei interessante: "Após passar duas semanas desaparecido, papagaio consegue voltar para casa após repetir, insistentemente, seu nome e o endereço de seu dono em Nagareyama, no Japão". Tava no UOL. Acho milhares de coisas interessantes mundo afora. Da alta mundial dos alimentos ao disco do Portishead. Só minha vida que anda sem graça de dar dó. Nenhuma grande paixão, nenhuma história engraçada, nem menos consigo juntar dinheiro pra viajar (quiçá pra não passar muito no vermelho). Aliás, abrindo outro parêntese sem abri-lo de fato, acho que o nosso quiçá vem do italiano chi sa (quem sabe). Ma chi lo sa? Continuo coçando, todo vermelho, pele irritada. Queria era ter uma banheira, sonho antigo. Só que agora queria junto uma gueixa japonesa pra me abanar, coçar e... bem, mergulhar comigo den' d'água... Achei um post antigo falando de meu amor pelas banheiras. Publicado aqui em maio de 2004 (êeee blog que tá envelhecendo...). Aí vai:

Queria ter uma banheira. Principalmente no inverno. Acho que depois da cama, é onde me sinto mais à vontade. Certo estava Vinícius de Moraes quando dizia que a banheira era " uma volta ao útero materno". E ele passava horas dentro da banheira, bebia dentro da banheira, escrevia dentro da banheira. O poetinha sabia realmente viver. Pois nada mais relaxante que uma banheira à sós, nada mais excitante que uma banheira à dois. Champagne e banheira... hum... um motel na própria casa. Quando fui à Paris, em 96, fiquei com um colega num quarto em reforma de uma pensão . O quarto era uma bosta, tinha umas baratinhas, mas... a banheira tornava a coisa bacana. Os outros quartos não tinham chuveiro ou banheira. Havia no segundo ou terceiro andar, um local público com chuveiros. Nada melhor do que depois de entupir-se de museus e passeios turísticos, uma banheirinha pra recobrar as energias. O ideal sedentário de vida é o seguinte: acordar lá pelas 9 e meia e rolar na cama e (...) até o meio dia. O café da manhã na cama, claro. Um rápido almoço e voltar pra cama, ler um livro, ver um filme e (...). Pelas 4 e meia, preparar a banheira e ficar lá, bebericando, preparando pruma possível saída noturna. Lá pelas 9 da noite, já bêbado e enrrugado como um Shar-pei, dar uma ronda noturna. Ou desistir de tudo, voltar pra cama e (...). Claro que isso não deveria ser todo dia, senão iríamos engordar tanto que a banheira teria de ser uma big size.

Nada melhor: uma banheira e uma boa companhia. Aqui, no filme belíssimo e perturbador "Os Sonhadores", do Bertolucci.

Johnny Schettino// 13:55

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Segunda-feira, Maio 19, 2008:

Todo coçando: carrapatinhos tinhosos! Fui no domingo pra chácara da família. Os meninos quiseram ir, eu quis fotografar. Há tempos que não fotografava. Me embrenhei no mato. Logo, carrapatinhos me invadiram. E são minúsculos. Quando acho que tirei todos, aparece mais um. No mais, continuo adorando ensinar italiano. No mais, faltam viagens e rock'n'rol. No mais, sonho, que sonhar é de graça.
Johnny Schettino// 20:26

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Sexta-feira, Maio 16, 2008:


Então é mais uma sexta. E penso na alegria que é tudo isso. Mesmo que amanhã eu trabalhe o dia todo. Porque sexta... é sexta!

Johnny Schettino// 19:14

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Segunda-feira, Maio 12, 2008:

Foi numa dessas decisões intempestivas que ontem combinei comigo: chega de doces. Até agosto. Não mais bombons, quindins, tortas, bolos, chocolates, sorvetes e tais. Continuo com o hall's preto e o refrigerante, que ninguém é de ferro. No mais, frutas. Alguma atitude radical é necessária para conter minha pança e essa bochecha inchada que me faz desgosto a cada fotografia tirada. E vou voltar aos exercícios físicos. Mas atentem que em relação aos exercícios não é uma promessa...
Johnny Schettino// 12:07

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Domingo, Maio 11, 2008:

Sempre esqueceu das coisas. Agora está pior? Não creio. Continua vendo novelas e jogando jogos no computador. Só pára ao caminhar ou ir ao Pilatis. E grava as novelas que perde. As reprises das reprises. Reclama da ausência do filho único. Quando em quando. Às vezes vai ao cinema. Quando em nunca. Quando a levo. Reclama do meu pai, da família. Mas sempre foi assim. Família... E as irmãs, que tanto briga e tanto não fica sem? E a viagem à Europa, sem computador, sem Globo, sem novelas? Apreensiva. Faz os florais? Não, esquece de fazê-los. Por que não faz um pra ela, pra memória? Se esquece. Na luta por uma evolução espiritual. Já frequentou tudo na busca da resposta: de seitas apocalípticas à seich-no-ie. Uma mulher de fé. Ou seria de fés? Encontrou várias respostas e vai se virando com elas. Esquecendo algumas, aprendendo outras tantas. Procurando. A melhor mãe do mundo, em minha suspeita opinião. Maior amor não há. Há de se entender esse amor incondicional. E pouco falado. Porque sabido. Coisas de outras vidas. Coisas de mãe e filho. Que você não leia esse blog e parabéns pelo seu dia, mãe!

Uma pequena homenagem em um texto velho e já postado aqui anteriormente. Pra minha querida mamãezinha:

Por que era noite e me deu uma repentina agonia e então gritei: mãe, minha mãe, mamãe, becos escuros em minha cabeça, velai por mim, Nossa Senhora, Maria minhamãe, minha dor meu conforto meu útero perdido é noite para te chamar mas nunca é tarde para mãe, ser mãe é outra vida dentro de uma vida, curta existência para ficar contigo perigo castigo, a vida passa e choras por mim mais do que choro por ti, mas é costume de mãe deixar que seus cabelos fiquem mais brancos a esperar aflita por seu filho inconsequente e que a ama demais e me lembro agora que Gal cantou a música que Caetano fez para Dona Canô, mãe dele: "Eu canto, grito, corro, rio e nunca chego a ti" e é assim que os filhos nunca chegam a alcançar as mães porque ser mãe é diferente de ser pai, mãe perdoa o filho seja ele bandido, marginal, drogado, bicha, travesti, puta, são as lágrimas que escorrem no rosto de uma mãe que limpam o mundo em perdão e esperança e eu estou com febre e minha mãe me põe na cama e cuida de mim e eu ardo e minha pele se encharca de suores estranhos e delírios e clamo por ela que aparece em minha vó minha mulher minhas filhas que talvez nunca venham a nascer para ver um mundo triste que arde em um céu azul e uma hemorragia de raios solares... Há mulheres desnaturadas que só porque deram a vida acham que são mães estórias terríveis que nem ouso lembrar aqui, já que ser mãe é muito mais que dar a luz, é espírito de luz que acompanha o filho pelas tortuosas e sombrias estradas que ele por acaso ou destino escolheu e até hoje minha mãe me chama: menino, eu com 30 e tantos anos, menino me nina minha mãe pois o Drummond escreveu que para as mães o filho é sempre pequeno como um grão de milho e vai-se lá discutir com o Drummond, poeta das mais belas palavras e menino eterno diante de sua mãe e meu caminho é diferente de seu caminho, minha mãe, e tento ser um bom filho e seguir seus conselhos quase sempre certos mas geralmente sigo os meus quase sempre errados, mas que é um belo caminho também, e eu penso que um dia você não ficará mais comigo e então meus olhos marejam e eu penso em outra coisa entre dois copos de uísque que você não tolera e tento esquecer que a morte existe mesmo sabendo que as mães são imortais e são os anjos mais lindos da eternidade e então por fim a madrugada morre mais uma vez e o céu escuro torna-se azul e vou para casa dormir agradecendo sua presença etérea, dissipam-se meus medos, passo por seu quarto e tudo está bem entrando debaixo do cobertor quente esperando novos sonhos e depois, o teu almoço e ponto final: .



Johnny Schettino// 10:35

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Quinta-feira, Maio 08, 2008:

Luana Piovani, que foi à estréia da peça “Doce Deleite”, nessa quarta-feira, no Rio, fez questão de dizer em alto e bom som estar “solteiríssima”. E ainda completou: “Um perigo!”. Isso é do site da Joyce Pascowitch. Mas acabei de ligar pra traquilizar minha mulher. A Luana tá no Rio. E eu em BH.
Johnny Schettino// 18:02

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