dornaveia
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Quarta-feira, Maio 09, 2012:
O corpo gripado quer descanso. Mas só há descaso. A mente quer sexo, o corpo quer cama. A mente quer estudos. o corpo quer cama. O corpo e a mente querem álcool para inventarem verdades. Espirros traem minhas ambições recônditas; o sonho da mega sena continua, semana à semana. O sonho da Europa aproxima-se em outubro: Londres, Paris e Roma. Só isso que preciso. Sonhos e viagens, viagens e sonhos. No entanto, a conta bancária me nega tais aspirações. No entanto, vive-se com o cheque especial. Queria que fosse diferente, não é. Life goes on. Gripado. Mas me vinguei da dieta: hoje, nesta tarde fria, me entupi de chocolates. As vezes é mister se embriagar de álcool ou chocolates. A embriaguês me salva.
Johnny Schettino// 16:56
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Sábado, Abril 21, 2012:
Acho um saco esse mundo de vídeos e fotografias. Sou um chato, bem sei. Mas esse tal de filme do bebê des'da barriga da mãe, o parto filmado, o pré-casamento, o casamento... só falta vídeo com "a primeira noite" do casal (com detalhes e vários ângulos). Claro que isso não tem nada demais e é até bom para o mercado de vídeo/fotos. Mas não acho graça. Acho ostensivo. Como também esse propaganda em torno de Jesus, de Deus: "Deus é fiel". Ainda colarei no meu carro o trocadilho: "Deus é Galoucura". Porque pra mim, a religiosidade é uma coisa íntima. Sim, claro, podemos compartilhar a fé, e talvez seja até mais forte um coro rezando. Mas é uma coisa íntima. Não cabe propaganda ou torcida. No mais é isso: desabafo de um chato quase quarentão.
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Ah, e falando em chato, fui ao show do Bob Dylan. E foi como o previsto: a voz expurga resmungos roufenhos ininteligíveis. A banda afiadíssima. O repertório traz sucessos e obscuridades. A simpatia é perto de zero. Mas foi bom. Emocionante em alguns momentos ("Simple twist of fate", em lindo arranjo; "Ballad of a thin man"; "Like a Rolling Stone"-essa mais por conta da empolgação da plateia do que pela versão em si).Vê-lo tocar gaita e resmungar é ver alguém chato e fiel aos seus preceitos há mais de 50 anos: faço o que quero e dane-se o resto. E eu sabia disso e avisei meus filhos. E eles, como eu, não se decepcionaram.
Johnny Schettino// 10:05
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Sábado, Abril 14, 2012:
Queria pintar como o Miró. Compor como o Chico Buarque. Tocar guitarra como John Frusciante. Cantar como o Luiz Melodia. Escrever como o Thomas Bernhard. Podia ser também como o Graciliano Ramos. Na poesia, talvez Leminki, talvez João Cabral. Ser boêmio como o Vinícius? Quem dera ter as mulheres do Polanski, ter a erudição econômica/artística da Eliana Cardoso pra escrever o que ela escreve. Queria talentos que não tenho, melhor, aprimorar algum de meus talentos. Queria usar menos o verbo "querer", pois parece que não vivo o que queria e, claro, não é assim. Não vivo parte do que queria, talvez até uma parte enorme do que eu queria, mas a vida é assim e não se pode querer e ter tudo. Já versava o Pessoa: "Não sou nada.Nunca serei nada.Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo". E é bom sonhar. Também é chato apenas sonhar. Fotografo a vida. Hoje vi "Xingu", talvez por isso divague sobre desejos e sonhos. Porque os 3 irmãos largaram tudo e foram para o meio do mato, atrás de aventuras. E dali saiu uma realidade muito bonita. Difícil, mas bonita, heroica, até. Não é meu perfil ir pro meio do mato, ainda mais sem qualquer companhia feminina. Terrível. Sim, gostaria de morar na Ilha Grande, na Chapada dos Guimarães. Com um computador e uma biblioteca, eu não estaria mal. Volto aos meus supostos "talentos": não os desperdiço de todo, não os aproveito de todo. Uma coisa no meio do caminho. Uma pedra? Uns projetos. Continuo estudando, fazendo concursos aqui e acolá. Continuo tentando. Antes reclamava do meu peso, agora emagreci. Agora é manter. Menos uma coisa para eu me queixar. Mas afinal das contas, é muito bom viver, não é?
Johnny Schettino// 22:25
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Segunda-feira, Abril 02, 2012:
As férias acabam agora. Estou indo ao trabalho. Já com saudades da minha folga, pois se trabalhar é bom, férias é ótimo. E, felizmente, as férias não voaram. Quando não se viaja (ou se viaja apenas 3 dias pro Rio de Janeiro, cidade "cheia de encantos mil") cada dia é cada dia. No caso, 32 dias. De volta à lida. Felizmente. Infelizmente. E é assim: contraditório.
Johnny Schettino// 15:28
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Terça-feira, Fevereiro 28, 2012:
Sou deveras materialista. Ou estou deveras materialista? Fato é que, como sempre, falta-me $ para consolidar meus desejos burgueses pueris. Sim, claro, pudesse não consumir quase nada e apenas viajar, essa seria minha escolha. Mas não há escolhas. Trade off, como estudo em economia. Há a realidade. Boa para o parâmetro brasileiro, ruim para meu parâmetro pessoal. Queria um sítio com muitos cavalos e cachorros. Queria um computador última geração da Apple.
Queria me dar um banho de loja. Queria um estúdio com guitarras, amplificadores, baixos e bateria.
Queria o que não tenho. Mas tento pagar as contas e compro o que dá: livros, cds e dvds (agora, blu-ray). Fico passeando os olhos pela internet e no mundo do consumo impossível: câmeras e lentes, de todos os preços; preços de passagens para a Turquia e tudo mais. Um sonhador materialista. Cansado de olhar. Cansado. Mas as férias estão aí, a um passo. E, como se sabe, NADA é melhor do que férias. That's it.
Johnny Schettino// 22:03
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Sábado, Fevereiro 11, 2012:
É quase carnaval. Mas não me permito perverter. Não. Entrarei em regime brabo na segunda. Regime carnívoro. Tentar perder uns quilos em um mês. Férias chegando. Concursos também. Será que vai dar? Acho difícil. Mas mais difícil é a megasena. Então estuda, mané! Sinto agora uma terrrível fome, nesse fim de plantão. Fim de plantão é arrasador: parece que um dia inteiro monta nas costas da gente. Já deveria estar acostumado. Mas não. Sigo cansado e reclamão. Fui no show do cantor carioca Cícero, e embora eu não me lembre de bulhufas (bebe uísque com cerveja, bebe...) creio que tenha sido um bom show. Quero ir no Morrissey, claro. Estou lendo um livro que estou adorando: "La guerra del fin del mundo", do Mário Vargas Llosa. Um calhamaço de umas 900 páginas sobre a guerra de Canudos. Sensacional. Mas é quase carnaval. Você me permite avançar?
Johnny Schettino// 20:21
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Sexta-feira, Janeiro 20, 2012:
E deixa eu falar, por que mesmo se não deixar, vou falando, pois preciso de espaço, preciso de vida, de vinho, boas conversas, bonitas mulheres; e deixa eu falar 'que se não eu implodo em tédio e poesia, deixa eu vomitar um pouquinho, vomitar com ternura, vomitar com calma, sem alma, vomitar esse dia-a-dia desgastante, essa falta de paciência no trânsito, vomitar como os gatos vomitam seu pêlo pra não complicar; deixa eu fazer meu som, deixa eu olhar a vida passando em velocidade rápida, filtrar os tons, beijar sem ter pressa de transar. Se não deixar eu vou, eu furo, eu pulo o muro pra ver o que que há do outro lado. Deixa meu passo torto, meu samba morto, deixa eu cair no chão, pular o vão, deixa eu correr feito criança ou como cavalo celebrando a liberdade. Gastar a energia. Deixa eu chorar, pois a vida cansa. Não me desdiga, não há saída, há amplidão.
Johnny Schettino// 18:42
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Sexta-feira, Janeiro 13, 2012:
Ouvindo muito sons novos, novas caras, arejar. Começo pelo Passo Torto, banda paulista com o já quase-conhecido Romulo Fróes. Trabalho impecável, tanto em letra quanto em música e arranjos. Puro São Paulo, meu! Outros mais: Pélico(lembra essa vertente meio brega do Marcelo Janeci), Fábio Góes. Também dei atenção à coisas que só ouvia falar, tipo o último do Vanguart (embora confesse que o vocalista me irrita um tanto, com esses arroubos de Jorge Ben anos 60), ouvi também o segundo grande disco de Marcelo Camelo (o primeiro eu passei longe, nem escutei).De internacional, não tem pra ninguém: o Black Keys atropelou, com seu El Camino. Rock na veia, sem baixo. Ah, fossem todas duplas assim...
Ouvido aberto, embora já desgastado, continua aberto. Até para o novo da Gal Costa, Recanto. Um disco estranho. Um disco de Caetano com a voz da Gal. Há de se valorizar essa tentativa de tirar Gal do limbo,do passado. Essa tem história. O que mais... esqueci o nome do outro cantor que eu ia falar. Fecho então com a delicada homenagem de Marcelo Camelo para com os mineiros:
Três Dias
Se faltar carinho, ninho
Se tiver insônia, sonha
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais
Se encontrar algum destino
Para solidão tamanha
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais
Se faltar carinho, ninho
Se tiver vontade, chama
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais
Se você ficar sozinho
Pega a solidão e dança
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais
Desaparecer no vento
E acordar num outro instante
Nó na imensidão do tempo
Dor do sentimento faz
Mas, se faltar a paz
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais
Johnny Schettino// 15:28
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Terça-feira, Dezembro 27, 2011:
... e na semana do Natal só comi, dormi, li e bebi. Próximo à perfeição, devo dizer. Acrescento: também joguei muito videogame. Agora é dobrar no serviço na semana do ano novo (de quinta à segunda, com folga no domingo). Quem mandou escolher jornalismo? Já deveria estar acostumado a trabalhar fim-de-semana e não ter feriado. Mas não me acostumo. Gosto é do ócio. Ócio criativo. Ócio recreativo. Ócio dormitivo. Em outra vida devo ter sido da época em que os escravos faziam o serviço e a alta sociedade apenas elocubrava. Me sinto bem assim: elocubrando. Como bem disse o Welton, bom são as "elocubrações periféricas" (já escrevi aqui que isso pode ser o nome de uma próxima banda que eu participar...). Basta de divagações: desejo a todos que por aqui passaram um ótimo 2012. That's it.
Johnny Schettino// 19:02
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Terça-feira, Novembro 29, 2011:
... e O Desprezo (que vi ontem) entrou no seleto rol dos 10 melhores filmes da minha vida (composto, idiossincraticamente, por uns 30 filmes). Desnecessário dizer que é o melhor filme do Godard que já vi. Não só pela bunda,perna,ombros,cara e coxas da Brigitte Bardot. Até então, meu Godard preferido era O demônio das 11 horas. Ou por vezes,Acossado. Ou Viver a vida. Mas O Desprezo atropelou. Talvez por ser baseado no livro do escritor italiano Alberto Moravia, do qual sou fã. Talvez por ser mais linear, mais inteligível. E é profundo. Melhor, vai além do profundo, faz sentir. É um poema. Triste poema. Não procura respostas, mas questiona. Obra prima. E como toda obra prima, nos eleva junto. Salve Godard, salve Bardot, salve Moravia. Je vous salut!
Johnny Schettino// 16:41
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Sexta-feira, Novembro 11, 2011:
Às vezes quero ter gatos. Depois passa, ainda mais que minha mulher não é muito afeita aos felinos. Prefere os caninos. Mas se eu tivesse gatos, minhas três raças preferidas, sem ordem de preferência:
Esse é o gato bengal. Pelagem à la leopardo. Um tanto selvagem, lindo.
O que dizer do Maine Coon, além de que ele é enorme e belíssimo?
E essa raça canadense é o Ragdoll. Grande e peludo. Bonito demais.
Um dia eu compro um desses pra morar com a família. Aí vamos ver o que vai dar...
Johnny Schettino// 18:28
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Sábado, Novembro 05, 2011:
O novo da Karina Buhr é muito bom. Tem um quê de Otto, no bom sentido. Dá pra baixar no site dela : http://www.karinabuhr.com.br/ É bom ver gente sem medo de errar. Não que todos devam ser assim, senão seria muita porra louquice. É preciso uma Marisa Monte, por exemplo: tudo no lugar, tudo perfeitinho. No momento, com uma dor incômoda na coluna. No momento, esperando o show do Chico Buarque, que vou na segunda. No momento, em mais um infindável plantão de sábado. E uma leve dor de cabeça. Comprei um livro com toda a obra poética do Manoel de Barros. Não é meu preferido, mas há grandes transcendências em árvores, lesmas, sapos e afins. Boa cria de Guimarães. Dos filmes? Vi "O Palhaço", do Selton Mello. Muito bom. Mas não é nenhum "Bye Bye Brasil". Quero ver o novo do Almodóvar. Quero ir à Europa ano que vem. Vamos ver se dá. O que mais eu queria? Bom, uma semana de sexo e filmes e nada mais.
Johnny Schettino// 16:02
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Sexta-feira, Outubro 28, 2011:
Quase fim de trabalho. Quase fim-de-semana. Cansado e aflito, quero ir pra casa. E beber. Porque sou um ser com sede. Sede de vida, de emoções, de álcool. Tenho lido muito e queria ler mais. Queria que minhas horas se desdobrassem, como subpastas dentro de pastas, num arquivo infinito. Horas pra ler romances. Hora pra ler livros de história. Horas pra jogar tênis. E muitas horas pra dormir. Aproveito parte de minhas horas verdadeiras pra ver "Twin Peaks". A série, comprei ano passado, estou adorando. Tenho também de terminar de ver a série do Fassbinder, "Berlin Alexanderplatz ". Acho que vi grande parte dela ano passado ou retrasado. Aí, faltando poucos epsódios... parei de ver. Acontece. Horas pra beber, pra conversar, pra festejar. O ideal seriam várias vidas. Simultâneas. Uma loucura. Assim não reclamaríamos de não estar vivendo a vida, daquela sensação de estar perdendo algo importante. Tudo é uma questão de custo de oportunidade (e tome economia!): o que você deixa de fazer para um melhor ganho no presente ou no futuro. No caso, estudo e não bebo. Pra depois, quem sabe, encher a cara livremente. That's it.
Johnny Schettino// 20:35
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Sábado, Outubro 08, 2011:
Sono da porra. Só porque hoje é plantão depois do almoço? Plantão de 12 horas? Bom, pelo menos vou poder ver o Atlético e América por aqui. Espero sorrir no final. Aliás, eu sempre espero. Queria era fazer nada. Jogar tênis, me embebedar, falar abobrinhas na noite sem fim. Mas a vida ainda não me reservou muito tempo pra essas coisas. Afinal sou pai, sou marido e trabalhador. Trabalho fim-de-semana, trabalho 96% dos feriados. Sim, por isso estudo pra concurso: pra ganhar mais e trabalhar menos. Ter aposentadoria integral. E viajar o mundo. Por isso jogo na megasena: pra mudar minhas preocupações e ter mais prazer. E poder ajudar os outros, claro. Mas que papo repetido esse, não? Sono. Queria estar alhures.
Johnny Schettino// 15:26
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Sábado, Setembro 17, 2011:
Tipuana. Descobri o nome da árvore que me tirava o sono. Não, exagero. Suas flores amarelas apenas me deixam mais feliz. Mas faltava um nome. Assim como às vezes falta felicidade. Quem me lê sabe que sou reclamão. E creio que não porque eu seja reclamão o tempo todo, mas escrevo apenas quando algo me incomoda ou entristece. Ou quando transbordo de alegria e paixão. Como isso é muito raro, reclamo e lamento muito mais. Bem, isso é um problema meu, mas se você me lê, passa a ser um problema seu. Tipuana: bonito nome para uma bela árvore. Assim como Ana o é para uma mulher. Chega de devanear. Desligo meu consultório sentimental.
Johnny Schettino// 15:13
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Terça-feira, Setembro 13, 2011:
Não sei se é tristeza, não sei se é cansaço. Sei que falta ânimo. Olho as sibipirunas plenas de amarelo, os ipês parecendo mangueiras em verde-e-rosa. Tudo floresce e eu, seco. Não é o tempo que também está seco. Serão os estudos, fadiga mental? Será o dinheiro, que não sobra? Será a sociedade capitalista em crise? Ou vai ver que é aquele bode velho, aquele, das antigas, que volta e meia aparece pra comer o meu capim, assim como os grilos vetustos? Já dizia minha canção: "misturo sono e cansaço e tenho desejo de espírito". Ainda é verdade. Os grilos e o bode ainda estão por aqui.
Johnny Schettino// 16:24
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Sábado, Setembro 10, 2011:
É notório que meus ataques consumistas têm diminuido. Mas eles ocorrem, quando em vez. Como ontem, por exemplo. Quatro cds e um dvd. Parcelados, logicamente, no cartão. Além dos inúmeros aplicativos do Ipad. Sim, comprei um Ipad. À vista, com o dinheiro da restituição do imposto de renda. Mas voltando aos discos e cds:
Paulada. Pancada. Bomdemais. Claro, não é pra ouvir a qualquer hora. Mas pra algumas...
Sou grande fã dos três primeiros discos. Depois, desmoronou. Mas esse disco do ano passado é bom. Melhor do que os últimos, pior que os primeiros.
Esse duplo eu tinha pirata, perdi. Lindo de morrer: vários pianistas interpretando as músicas do Francis Hime. Bom pra viajar por lindas estradas cercadas por mata atlântica.
Eu tinha preguiça deles. Aí vi o show. E virei um grande fã. Letras espertas, rock bem tocado. Às vezes pesado demais. Mas bom pra caralho. Um dos discos do ano.
E um dvd do Clash, com músicas tiradas de vários shows. Sem comentários: Clash é foda.
Johnny Schettino// 12:19
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Quinta-feira, Setembro 01, 2011:
Um beijo quente e lento. Sem pressa. A noite é longa e a manhã está distante. Os corpos querem, têm vontades urgentes. Depois tudo será memória destorcida. Mas agora quem manda é o desejo. Parecemos macacos. Rinocerontes, libélulas. Aliás, libélulas têm prazer? Parecemos cachorros. Bicho. Um beijo quente, lento e encharcado. E a manhã chega e nem percebemos. Cansaço feliz. Depois, memórias belas e destorcidas e nada mais.
Johnny Schettino// 20:59
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Sábado, Agosto 13, 2011:
O disco Chico, do Chico? Daqueles que quanto mais se escuta, mais se gosta. Maria Gadú? Não, obrigado. Ana Carolina? Que aborrecimento! Dos filmes: Melancolia, obra-prima do desalento e da depressão. Depois desse, deu até vontade de ver o Anticristo. Que deve ser muito mais depressivo. Lars Von Trier surpreende. Capitão América? Ainda não vi. Árvore da vida: quero ver. Das leituras: lendo livros de história, livros de concurso. Exceção feita ao fabuloso Everyman, do Phillip Roth. Cultura é fundamental. Assim como o álcool. Mulheres e árvores, respiração. Mas me perco em devaneios. Tenho fome. Fim de plantão de 12 horas. Vontade de beber, fazer o que? Continuo estudando, continuo jogando na loteria. Uma hora passo, uma hora acerto os números mágicos. Uma hora morro. Devaneios perdidos. Me sinto raso. Mas depois da segunda dose passo a ficar mais profundo e inteligente. Assim seja.
Melancolia: cada fotograma, uma surpresa
Johnny Schettino// 20:26
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Sexta-feira, Julho 29, 2011:
Querido diário virtual: encontro-me em São Paulo. E adoro. Adoro os Jardins e suas árvores "peludas". Adoro os cafés e as docerias. Adoro os alfajores da Havanna. Adoro as livrarias da Cultura. Os cinemas da Augusta. Caro diário, tenho andado muito. E gastado também. Aqui, penso que sou rico. Em Belo Horizonte, surge a realidade: sou bem mais pobre do que geralmente penso que sou. Tantas peças, filmes, shows. Tudo acontece. Tantos bares. E mulheres. Gente. Me arrependi de não ter trazido a máquina só agora, no por do sol entre arranha-céus. Eu aqui, nesse apartamento enorme e caríssimo. Como todos saíram, pus um Duke Ellington e Contie Basie. E me sinto como Scarface. O dono do mundo. Descalço, na paz. O Buchanan's 12 anos me paquera descaradamente. Mas não devo beber: nove e meia vou ao teatro ver o Marco Nanini. A peça? "Pterodátilos". Adoro São Paulo, mas me sinto só. Acontece. Acaba que a gente acaba pensando em como seria morar aqui. Pensamos nos milhares de problemas: trânsito, violência, chuvas, caos. Tem a família. Tem o dinheiro. Tem que eu não teria grana pra morar nos Jardins. Penso também em como seria ser solteiro por aqui. E penso que me sinto só. Mas passa. Gosto muito de São Paulo, talvez pouco de mim. Hoje vi um filme absolutamente tocante com o Gerard Depardieu:" Minhas tardes com Margueritte". Desses que a gente chora pra burro. Trata da amizade de uma velhinha e um cara bronco. E mais não falo, pois baixou preguiça. Agora, um bom banho. Depois, a peça. E o Buchanan's, me espera?
Johnny Schettino// 18:30
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